Saiba como a mente pode alterar a percepção que temos da dor

Lidar com a dor não é fácil. Além de todos os incômodos que ela traz para o físico, a dor crônica também pode afetar – e muito – o psicológico. Mas o que algumas pessoas não imaginam é que, em muitos casos, a nossa mente também produz reflexos no corpo humano.

“Existem questões que nós não sabemos lidar. Nos sentimos esgotados, às vezes até inconscientemente. Não temos estrutura, não estamos preparados. Então, nosso organismo procura se desfazer dessas questões para que possamos suportar a situação. Muitas vezes, ele elimina o problema por meio da dor, do incômodo”, explica a psicóloga especialista em neuropsicologia, Kamila Oliveira.

Para explicar melhor o que acontece com nosso corpo, a especialista faz uma comparação com o mecanismo de uma panela de pressão. “Depois de algum tempo no fogo, a quantidade de vapor dentro da panela ligada torna-se muito grande. É preciso eliminar um pouco dele. No nosso aparelho psíquico acontece da mesma forma. Dá-se um jeito de botar o problema para fora e o organismo pode vir a responder apresentando uma dor”.

Pessoas que passam por esse tipo de situação precisam contar com profissionais capacitados e habilitados a entender os sinais que o corpo dá. “Cada pessoa tem uma percepção diferente da dor. O que é doloroso para alguns pode ser considerado prazeroso para outros”, diz a psicóloga. “Nós somos seres subjetivos e temos olhares subjetivos sobre as coisas. Nos posicionamos de acordo com nossos costumes, nossas sensibilidades, questões culturais, sociais e econômicas”, ressalta Kamila.

Neste contexto, torna-se fundamental que o paciente que sofre com dores seja acompanhado por uma equipe de psicólogos capaz de identificar além do que é dito no consultório. “Às vezes a pessoa não está apta para ter uma percepção precisa da dor. Ela pode achar que sente dor no estômago, quando na verdade o problema está nos rins, por exemplo. A dor é algo que os seres humanos tentam evitar, camuflar e distorcer, pois é algo ruim”, enfatiza. “Essa é uma das principais razões para se ter uma equipe multiprofissional acompanhando a pessoa que procura livrar-se da dor. Só assim todos podem trabalhar juntos para analisar, identificar e determinar a verdadeira causa da dor e não só a percepção que o paciente tem dela”.

Além disso, algumas caraterísticas psicológicas contribuem para que as pessoas sintam mais ou menos dor. Conflitos internos, externos e psíquicos influenciam na intensidade dela. Quem tem um comportamento que foge da realidade, por exemplo, costuma criar algo imaginário. “Pessoas fantasiosas acabam levando essa característica também para a dor. Elas tendem a camuflar até na hora de conversar com o profissional. Muitas vezes o paciente não tem consciência que age assim”, afirma Kamila. “A avaliação psicológica tem papel fundamental neste processo”, conclui.

Pacientes que tendem a se isolar também podem sofrer com o agravamento das dores. Segundo a psicóloga, são pessoas que tendem a não se cuidar como deveriam e, por isso, problemas inicialmente pequenos podem levar períodos maiores para serem solucionados.

Outro fator que influencia na percepção da dor, segundo a psicóloga, é a dependência emocional. “Algumas pessoas criam válvulas de escape para ter equilíbrio. Quando essa válvula é retirada ou deslocada, a pessoa pode passar a ter dores fortes e até doenças comprovadas. Tudo advindo de origem psíquica que, quando não resolvido, é expelido de forma fisiológica por meio da dor, da doença e do mal-estar. ”

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF