Musculação como aliada

A importância dos exercícios físicos para tratar dores crônicas.

Inúmeras pesquisas já indicaram que a densidade óssea de fósseis humanos primitivos eram em muito superior às verificadas nos dias atuais. Estamos nos tornando mais sedentários e, se, em parte devemos isso às facilidades de uma época altamente tecnológica, na qual os veículos automotivos tornam dispensáveis as longas caminhas ou o controle remoto nos permitem a continuidade da inércia em nossa poltrona preferida, também contribuem profissões nas quais, cada vez mais, o trabalho se executa sentado diante de computadores e através de celulares, bem como rotinas na qual o horário disponível para atividades físicas é mais e mais curto.


No entanto a conta chega. A ausência de exercícios físicos regulares é capaz de levar ao desenvolvimento de dores crônicas. E quando elas batem à porta a insistência em fugir deles leva a um quadro de piora significativo. Ao contrário do que muitos pensam, diante da dor, o corpo não precisa de mais inércia, precisa de movimento e atividades capazes de fortalecê-lo. A musculação, exercícios aeróbicos e alongamentos são os melhores aliados de quem sofre com dores crônicas como osteoporose. Mais que um paliativo, manter uma rotina de atividades adequadas ajuda a tratar a dor de maneira eficaz.


Médica anestesiologista especialista em tratamento da dor crônica da clínica Libertà Saúde, Rebeca Vasconcelos, comenta que quem possui dores crônicas “não apenas pode, mas deve ter a prática regular de exercícios”. “Pesquisas significativas têm demonstrado que o exercício físico é um aspecto essencial do tratamento de dor crônica. Sabemos hoje que na ausência deles as pessoas se tornarão menos capazes de realizar funções que antes lhes davam prazer ou atividades da vida diária”, afirma.


Ela explica que os benefícios são os mais diversos possíveis, indo desde o controle dos níveis de pressão arterial e glicêmicos, fortalecimento da musculatura e estabilização da coluna e articulações, até melhora do sono, restabelecimento do equilíbrio emocional, redução da fadiga, alívio da dor pelo aumento de serotonina e outros neurotransmissores inibitórios e regulação de todo nosso sistema nervoso. “Todos esses benefícios agem em conjunto para que o ser humano possa ter mais energia, sensação de bem estar, autonomia, conforto emocional e vigor físico para se reabilitar e ter sucesso terapêutico”, diz.


De acordo com a Dra. Rebeca, as atividades mais recomendadas para quem já apresenta um quadro de dor crônica são os exercícios aeróbicos combinados com os de força e os alongamentos. “Esses exercícios são realizados de diversas maneiras podendo ser caminhada, natação, bike, jogos em grupos, entre outros. Sempre com prática regular, progressão lenta e gradual”. Ela adverte, porém, a necessidade de se observar para o baixo impacto dessas atividades quando realizada por pessoas com dor crônica. “Tudo precisa ser adequadamente ajustado para a idade e supervisionado por profissional habilitado”.


Neste sentido, exercícios de alto impacto e com grande sobrecarga de peso, os exercícios extenuantes e de longa duração e principalmente sem avaliação medica prévia e acompanhamento por profissional responsável e treinado no manejo de condições dolorosas crônicas, devem ser riscados da lista. Caso contrário, os prejuízos podem ser grandes.


Outra observação é a necessidade de não se restringir as atividades física a um momento específico do dia, mas diluí-las ao longo das 24h. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), adultos entre 18 e 64 devem manter uma rotina mínima de 150 minutos de intensidade moderada de atividade física aeróbica, com vistas a obter melhoras das funções cardiorrespiratórias, ósseas, musculares e ossos. Isso pode incluir atividades de lazer ou de locomoção como dança, caminhada, jardinagem, natação, andar de bicicleta; atividades de trabalho e domésticas; esporte ou exercício planejado.


Pequenos hábitos inseridos na rotina podem contribuir. Às vezes o sedentarismo vira uma forma de vida sem nos darmos conta disso. É a decisão de ir à padaria de carro em vez de aproveitar para fazer uma caminhada, a opção pelo elevador para subir um ou dois andares, a não realização de alongamentos simples quando acordamos ou a opção por formas de lazer que não exigem movimento em detrimentos de outras como dançar ou andar de bicicleta. A atividade física é um hábito que se adquire e cujos benefícios são de curto e longo prazo.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF