Movimente-se!

A atividade física é uma grande aliada no tratamento das dores crônicas e promove incontáveis benefícios para os pacientes.

“Quem possui dores crônicas pode e deve praticar atividade física regularmente”, é o que garante a médica Rebeca Vasconcelos, anestesiologista e especialista em tratamento da dor crônica. Segundo Dra. Rebeca, pesquisas significativas têm demonstrado que o exercício físico é um fator essencial no tratamento da dor crônica e que, na sua ausência, as pessoas se tornarão menos capazes de realizar atividades da vida diária.


A afirmação serve como um alerta para grande parte dos pacientes que sofrem de dores crônicas. Pois a presença permanente da dor faz com que, muitas vezes, a pessoa diminua cada vez mais as atividades, sejam elas esportivas ou da vida cotidiana, e se entregue ao repouso constante e ao sedentarismo. E isso acontece tanto pelo desânimo e desequilíbrio emocional causado pela dor quanto por falta de informação.


Mas combater tudo isso e se movimentar é fundamental! “Os ganhos vão desde o controle dos níveis de pressão arterial, das taxas glicêmicas, fortalecimento da musculatura e estabilização da coluna e articulações, até a melhora do sono, restabelecimento do equilíbrio emocional e redução da fadiga”, esclarece a Dra. Rebeca.


A prática regular de atividade física ainda ajuda a aliviar a dor devido ao aumento da serotonina e outros neurotransmissores inibitórios e da regulação de todo o sistema nervoso. De acordo com a especialista, todos esses benefícios agem em conjunto para que o ser humano possa ter mais energia, autonomia, sensação de bem estar, conforto emocional e vigor físico para se reabilitar e ter sucesso terapêutico.


Exemplo de um campeão

O ex-triatleta olímpico e treinador esportivo, Leandro Macedo, comprovou os benefícios da atividade física diante de um quadro de dores crônicas. Leandro, que se dedicou ao esporte de alto rendimento por mais de 20 anos, foi diagnosticado com artrose avançada no quadril e, aos poucos, foi vendo o esporte deixar de fazer parte de sua rotina pela presença constante da dor.


O resultado foi a perda de musculatura dos membros inferiores, dificuldade para realizar movimentos simples como calçar um tênis ou entrar no carro, ganho de peso e alteração no humor. Até que resolveu voltar a pedalar e nadar, acompanhando seus atletas, e a mudança foi notória.


“Ao voltar a praticar atividade física de forma regular, a primeira melhora que senti foi no meu humor, já que eu andava bastante desanimado e pessimista. O esporte sempre fez parte da minha vida, e deixar de praticá-lo causou grande impacto no meu emocional. Com o tempo vieram os ganhos físicos, como a recuperação da força muscular, mobilidade e flexibilidade”, avalia o triatleta.


Segundo Leandro, esse fortalecimento da musculatura, ganho de amplitude do movimento e flexibilidade contribuem para proteger a região lesionada e diminuir a dor.


Atividades recomendadas

O uso terapêutico da atividade física vem se provando cada vez mais eficiente e, de acordo com a Dra. Rebeca Vasconcelos, os melhores e mais recomendados exercícios são os aeróbicos (como caminhada, natação, ciclismo ou jogos em grupo) e sua combinação com exercícios de força e alongamentos. Além disso, é essencial praticá-los regularmente, com progressão lenta e gradual. A atividade também deve ser ajustada para a idade e supervisionada por profissionais habilitados.


Dra. Rebeca alerta que é fundamental realizar uma avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade física. “Os exercícios de alto impacto, com grande sobrecarga de peso, extenuantes, de longa duração e, principalmente, sem avaliação médica prévia e sem o acompanhamento de um profissional capacitado para o manejo de condições dolorosas crônicas são contraindicados”, informa a médica.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF