Fascite plantar: as dores sob os seus pés

Os pés são os grandes responsáveis por carregar o peso do corpo ao longo do dia e recebem todo o impacto das atividades que são realizadas, por isso estão sujeitos a lesões dolorosas como a fascite plantar. Entenda como ela ocorre, suas causas e os principais tratamentos para combatê-la.

Uma das maiores responsáveis pelas dores na planta do pé, a fascite plantar se manifesta principalmente entre os 40 e 60 anos. Porém, a lesão pode afetar os mais variados tipos de pessoas, com seus diversos estilos de vida. Ela atinge homens e mulheres, sedentários e atletas, pessoas com o pé cavo e também as de pé plano...

Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), a fascite plantar ocorre geralmente quando o tecido fibroso (fáscia plantar) ao longo do pé está inflamado, devido a um estresse excessivo dessa região. Além disso, “pesquisas recentes vêm demonstrando que a fascite plantar pode ser também uma alteração estrutural mais condizente com processos degenerativos, não ocorrendo somente de processos inflamatórios”, aponta a SBED.

O resultado é uma dor, como uma pontada, na sola do pé. A dor costuma surgir na região logo abaixo do calcanhar, ocorrendo ainda maior sensibilidade no local. Ela é mais intensa durante os primeiros passos pela manhã e vai melhorando aos poucos ao longo do dia, voltando somente após a atividade prolongada ou mesmo depois de um grande período de repouso.


Principais causas

Um dos fatores relacionados à fascite plantar é a obesidade. Levando-se em conta que as estruturas físicas e musculares de cada indivíduo estão dimensionadas para o seu próprio corpo, o ganho de peso faz com que a pessoa passe a carregar uma carga corporal além da que está preparada, gerando uma pressão maior na região da planta do pé.

Os atletas também estão entre os mais predispostos a contrair a lesão, especialmente os corredores, devido ao grande impacto e os movimentos repetitivos desse esporte. Durante uma corrida o atleta gera, em cada perna, um impacto equivalente a até quatro vezes o seu peso corporal. Muitas vezes as musculaturas das pernas e pés não estão preparadas para tal pressão, sobrecarregando a fáscia plantar.

Outros fatores de risco são os pés com arco plantar mais alto (pé cavo) ou com o arco plantar mais baixo (pé plano) e o uso excessivo de salto alto pelas mulheres. Pessoas que passam muito tempo em pé e fazem muitas horas de caminhada durante o trabalho estão igualmente predispostas às dores da fascite plantar.


Como curar?

Para a médica Rebeca Vasconcelos, anestesiologista e especialista em dor crônica, o tratamento da lesão vai desde um programa mais conservador até o mais invasivo. “O tratamento conservador associa medicações como anti-inflamatórios e analgésicos, fisioterapia, atividades para correção postural, utilização de palmilhas e o uso de agentes que promovam calor superficial e auxiliam no alongamento da fáscia. Entre os métodos mais invasivos estão as infiltrações com anestésicos ou corticóides”, esclarece.

Contudo, a Dra. Rebeca destaca o tratamento por ondas de choque como sendo o grande diferencial na cura da fascite plantar. “A terapia por ondas de choque não é invasiva, é moderna e já tem muito artigo científico demonstrando seu alto poder de melhora e até de eliminação da dor por um longo período. Hoje em dia este é um dos tratamentos mais preconizados para a fascite plantar”, afirma.

A terapia por ondas de choque consiste na emissão de ondas acústicas, que levam uma mensagem para o nervo e resultam na melhora do processo inflamatório da fáscia. Cabe ressaltar, ainda, que os pacientes não levam choques neste tratamento, e sim ondas de pressão.


Recomendações!

Quando se está com um quadro de dor crônica decorrente da fascite plantar, deve-se evitar qualquer atividade que sobrecarregue o pé, como aquelas que produzam impacto ou que necessitem ficar muito tempo em pé. Os calçados também devem ganhar atenção especial, optando-se por sapatos que tenham apoio de arco plantar e amortecimento, e deixando de lado os sapatos já gastos.

Por fim, o paciente não pode ficar sem atividade física ou fisioterápica, precisa fazer alongamento da fáscia e correção postural. “Às vezes os pacientes confundem o cuidado com a questão do repouso absoluto. Não é necessário ficar parado, sem atividade alguma, uma vez que os estudos comprovam que o paciente com dor precisa de atividade física. E isso muda muito o quadro de dor”, destaca Rebeca Vasconcelos.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF