Dor e depressão: uma soma angustiante

A coexistência entre transtornos depressivos e dores crônicas é uma situação comum em diagnósticos clínicos, sendo a relação bidirecional que se estabelece entre esses dois problemas comprovada em diversas pesquisas.

Recente estudo do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas de São Paulo indicou que, em um grupo de 5.037 pessoas com 18 anos ou mais, incômodos físicos de longo prazo persistiram em 50% daqueles que sofriam com transtornos de humor e 45% dos que tinham ansiedade intensa.

“Muitas vezes um quadro de dor crônica é o fator desencadeador do quadro depressivo, que se instala não apenas pela dor em si, mas também por todos os prejuízos causados psicologicamente e no cotidiano do indivíduo”, explicou a psiquiatra da clínica Libertà Saúde Dra. Ana Flávia Falluh.

Em outros, acrescenta, o sofrimento psíquico de um quadro depressivo não identificado e/ou não tratado se manifesta no corpo na forma de dor. “Este último caso representa o que chamamos de somatização que é caracterizada pelo surgimento de sinais ou sintomas físicos sem causa orgânica identificável, justificáveis por fatores psicológicos e psicossociais.”

Entre as dores comumente associadas ao sofrimento emocional é possível citar dor de cabeça, dor abdominal, dor muscular localizada ou generalizada e dor no peito. As regiões cervical e torácica, principalmente a região lombar também são frequentemente afetadas.

“Nos casos em que a dor física é somática, o tratamento do quadro depressivo de base gera alívio da dor. Já em casos em que a dor é decorrente de uma doença clinica, como fibromialgia e enxaqueca, por exemplo, e ocorre em paralelo a um quadro depressivo, o tratamento deve ser feito de forma conjunta entre um psiquiatra e um especialista de dor para melhor resposta dos dois quadros”, acrescenta a Dra. Ana Flávia.

As hipóteses para a relação entre dores crônicas e depressão ou ansiedade são várias. Uma delas diz respeito à tendência ao sedentarismo que é maior entre pessoas que apresentam transtornos depressivos. Outro aspecto é a tendência ao desenvolvimento de processos inflamatórios decorrentes de estresse psicológico, bem como tensões musculares que se intensificam na presença de estresses.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF