Depressão e ansiedade

De que forma doenças cada vez mais comuns podem alterar a maneira como o paciente percebe a dor.

A depressão é um transtorno cada vez mais frequente. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), estima-se que, em todo mundo, 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença. Ela é a principal causa de incapacidade e contribui de forma importante para a carga global de outras enfermidades. Pacientes com dor crônica estão sujeitos à depressão e, por isso, precisam de acompanhamento médico e psicológico.

“É necessário um olhar profissional e clínico para resolver o problema de verdade. Do contrário a pessoa só fica camuflando. É como se alguém passasse maquiagem em uma espinha. Ela fica escondida, mas continua lá”, diz a psicóloga especialista em neuropsicologia, Kamila Oliveira.

Segundo ela, pacientes que sofrem com depressão podem ter ainda mais dificuldade de perceber a dor. “É difícil para o paciente depressivo colocar pra fora de maneira precisa o que está sentindo. Muitas vezes a pessoa não tem condições, forças, ânimo... ela nem vê razões para resolver. E como você pode mudar uma questão que não acredita estar errada?”, avalia a especialista. “Vale ressaltar mais uma vez a importância de uma equipe capacitada para fazer esse acompanhamento”, conclui.

Outro problema bastante comum e que tem reflexo direto na maneira como o paciente enfrenta as crises de dor é a ansiedade. De acordo com a psicóloga, pessoas ansiosas tendem a acelerar e agravar os fatos. “Às vezes um problema fisiológico está na etapa A e o paciente relata que está na etapa C. Se uma equipe capacitada não estiver acompanhando o caso, o profissional não vai perceber que o paciente ainda não chegou a uma fase mais avançada. E o psicólogo é quem está apto a ter essa percepção”, destaca Kamila. “Uma pessoa ansiosa ou depressiva pode passar informações não coerentes com a realidade. E isso influencia todo o processo do tratamento”.

E como é feito o acompanhamento com a equipe de psicologia? Primeiro, o paciente faz uma avaliação, que pode ser acompanhada de testes ou não. A partir daí o psicólogo precisa identificar a realidade do paciente e absorver o que ele não relatou. “O psicólogo está ali para isso: para captar as informações que o paciente não consegue falar, encontrar e expelir”, define Kamila.

Após a avaliação, o profissional de psicologia parte para a anamnese. A intenção é ter acesso às informações básicas do paciente. Neste momento é importante também criar um relacionamento entre os dois. Só assim o psicólogo poderá dar um parecer sobre a situação e avaliar qual profissional precisa ser acionado para cuidar do paciente. “Há casos em que a pessoa menciona sentir uma dor no joelho. A partir da avaliação percebemos que é um problema psicológico e que, na verdade, ele vai precisar ser tratado por um neurologista ou acupunturista”, explica.


Atendimento multiprofissional

Na opinião da psicóloga, é insustentável que um profissional pense que é capaz de solucionar sozinho o problema do paciente. “Nós somos seres com várias funções, comportamentos. Vivemos com base na construção de variados quesitos sociais, culturais, econômicos, fisiológicos e psicológicos. Não funcionamos numa modalidade só. Por isso, é necessário que o psicólogo entenda que ele precisa atuar com outros profissionais. Eles terão olhares, percepções e conhecimentos diferentes do dele”, afirma. “Os estudos se complementam e, por isso, não deve haver uma relação de disputa entre os profissionais. É necessário que todos trabalhem em equipe para, em conjunto, atuar a favor do paciente”.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF