A acupuntura no tratamento da dor

Conheça os inúmeros benefícios dessa terapia chinesa milenar, que tem importante papel no tratamento de dores e até em sua prevenção. Seu poder terapêutico também atua na restauração do equilíbrio emocional dos pacientes.

A acupuntura já se tornou bastante conhecida no ocidente, mas o que poucas pessoas sabem é que esta terapia, que faz parte da medicina tradicional chinesa, possui cinco mil anos de prática e é provavelmente a técnica médica mais antiga do mundo. Além disso, promove benefícios que vão desde o alívio das mais diversas dores e o tratamento de variadas patologias, até a promoção do equilíbrio funcional de todo o corpo do indivíduo.


O princípio básico da acupuntura é o estímulo, com agulhas, de zonas neuroreativas (pontos de diferentes profundidades na pele). Esse estímulo vai ao cérebro, por vias neurais, de onde retorna como resposta moduladora. E é aí que está o grande poder da acupuntura! “A resposta moduladora é como se fosse um ajuste que a acupuntura faz, exato e de acordo com a necessidade do indivíduo, seja na dor ou no sintoma que tiver. Como o ajuste é feito por meio do próprio organismo do paciente após o estímulo, ele é proporcional ao que a pessoa precisa”, afirma a doutora Márcia Morel, anestesiologista especialista em acupuntura médica.


Dessa forma, no que diz respeito ao seu papel no tratamento da dor, a acupuntura atua como coadjuvante na modulação do processo doloroso nos pacientes que já utilizam métodos complementares como medicamentos, fisioterapia ou infiltração.

De acordo com a Dra. Márcia Morel, a acupuntura é indicada em todos os tipos de dores, sejam agudas, crônicas e das mais diversas localizações do corpo. A tradicional terapia chinesa pode ter uma resposta melhor para algumas dores, mas também é muito variável em relação ao próprio paciente.


“A medicina não é uma ciência exata. Então é possível ter duas pessoas que descrevem o mesmo tipo de dor, com o mesmo comportamento, as mesmas características e, muitas vezes, a resposta não é a mesma. Isso acontece não só com a acupuntura, mas inclusive com os outros tipos de tratamentos, já que as pessoas respondem de formas diferentes a cada um deles”, explica Dra. Márcia.


Tratamento exclusivo e prevenção

Apesar de ser muito usada em conjunto com outras técnicas, participando do tratamento da dor como coadjuvante, a acupuntura também pode funcionar como terapia exclusiva.


Na verdade, o paciente com dor geralmente não vai imediatamente para a acupuntura. Normalmente ele já procurou um médico para investigar, dependendo da localização da dor, e passou por outras formas de tratamento como medicamentos, fisioterapia, entre outros. E aí a acupuntura entra como uma terapia complementar.


Mas muitas vezes a pessoa que é beneficiada pela acupuntura, tendo o organismo respondido de forma favorável ao estímulo com agulhas, acaba usando esta terapia como primeira opção de tratamento. “Já tratei paciente que tinha enxaqueca, que vinha usando vários medicamentos e com uma resposta pouco satisfatória. Quando este paciente acrescentou a acupuntura, o organismo respondeu bem. Então posteriormente, em uma segunda fase de crise, a pessoa já foi em busca da acupuntura ao invés de optar pelos medicamentos”, apontou Dra. Márcia.


Nestes casos, os pacientes acabam se submetendo à acupuntura de forma regular, antes mesmo de ter a crise. Assim, ela passa a ser o único tratamento e que, de fato, não deixa nem o indivíduo desenvolver a crise.


Em relação à frequência da realização desta terapia, não existe uma regra matemática. Quando se dá início ao tratamento as pessoas fazem uma opção junto com o médico e, em média, a acupuntura passa a ser realizada uma vez por semana. A partir daí, passa-se a observar a evolução dos sintomas e como a dor vem se comportando.


Segundo a especialista Márcia Morel, “existem casos em que uma sessão por semana é suficiente, enquanto outros quadros necessitam de mais sessões. Há situações também em que se pode realizar sessões mais espaçadas. Então não é uma prescrição matemática, e sim uma prescrição de observação, na qual o paciente é o grande fator de decisão”.


Para além das dores físicas

Associado ao quadro da dor, que pode causar uma incapacidade ou atrapalhar a vida profissional e cotidiana do indivíduo, o paciente também pode ter queixas de insônia, ansiedade e depressão. E neste ponto a acupuntura exerce um papel fundamental.

Para a Dra. Márcia Morel, “além do auxílio na modulação da dor, uma função muito importante da acupuntura é contribuir para o equilíbrio emocional e psicológico, que geralmente estão muito abalados no paciente com dor.”


Este benefício é explicado pela liberação de neurotransmissores como a serotonina, que ajudam a melhorar o quadro do humor e o quadro geral do indivíduo. A pessoa fica com mais disposição, mais animada, menos depressiva, dorme melhor, enfim, todo o organismo recupera seu equilíbrio e harmonia.

Responsável técnica: Dra. Rebeca G. de Lacerda Vasconcelos CRM 18290 DF